Experiências inconvenientes não funcionam na WEB

Em uma brilhante apresentação, Ian Rogers, VP de Desenvolvimento de Produtos do Yahoo Music, mostra um grande entendimento do que funciona e o que não funciona na web. Em uma síntese: experiências irritantes – como por exemplo, arquivos de música bloqueados com DRM – não funcionam.Não deixarei o Yahoo! investir em inconveniência.Ian diz de maneira eloqüente a sua posição em relação a obrigar o usuário a passar por experiências chatas só para satisfazer a mentalidade reacionária das grandes gravadoras:

Eu não vou mais cair nesta armadilha. Se as gravadoras que oferecem conteúdo para o Yahoo! continuarem a colocar mais barreiras diante dos usuários, eu não estou interessado. Faça o que você sentir que precisa fazer no seu negócio, eu serei educado, direi obrigado, e não aceitarei. Eu não deixarei que o Yahoo! continue investindo dinheiro em inconveniência para o consumidor. (minha tradução livre)

O usuário deve estar em primeiro lugar.

Uma importantíssima lição que foi aprendida nos últimos anos é que na web, o usuário deve estar em primeiro lugar. Não adianta brigar contra o consumidor, é preciso ouvi-lo e atender a sua necessidade.

O Pop-up parecia bom pra o anunciante, pois obrigava o visitante dos grandes portais a ver a propaganda. Mas ter que ver e depois fechar um pop-up é tão inconveniente que logo foram criados os bloqueadores de pop-up. Parecia bom para as empresas poder atingir a caixa de e-mail de milhares de usuários, mas é inconveniente receber spam, e logo apareceram os bloqueadores de spam. Da mesma maneira, o DRM é inconveniente para o usuário, e logo apareceram as ferramentas para remoção do DRM.

É preciso aprender de uma vez por todas: na web, aquilo que é inconveniente para o usuário, é também inconveniente para os negócios.

A indústria está amadurecendo.

Como aponta Ian, o Napster não inventou o P2P, essa habilidade de transferir dados diretamente entre computadores, sem um servidor central, é inerente ao TCP/IP e à própria internet. Antes de haver um software para organizar essas maneiras de compartilhamento de dados, sempre foi possível, por exemplo, trocar arquivos com um amigo via messenger (ICQ) ou email.

Não adianta tentar mudar a própria natureza da informação digital: ela se propaga livremente. Somente agora a indústria musical está começando a aprender a jogar com a maneira como a internet funciona e se aproveitar disso. Dois excelentes exemplos são a nova loja de MP3 sem DRM da Amazon e a recente abertura de todo o conteúdo arquivado do NY Times.

Tudo mais seguirá.

Finalmente, copio um trecho da filosofia da desta.ca: Quem decide qual produto continuar, qual deixar de escanteio, qual item incrementar, qual retirar de um sistema, é o usuário. Ele é o chefe, é ele quem manda. Por isso: nada de popups chatos, nada de sites lentos, nenhum truque para que o usuário compre mais, nada de nada que o usuário não goste. Se os usuários gostarem do nosso trabalho, tudo mais seguirá. Fazemos coro com a filosofia do google: faça dinheiro sem fazer o mal.

Por Gilberto Jr

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